Ali naqueles 36 dias a rotina que eu criei era muito exaustiva, fisicamente e mentalmente falando. Conforme eu havia definido, eu caminhava sempre pela manhã tão logo o sol aparecesse e pudesse indicar minha direção (eu seguia sempre para o Leste). Caminhava normalmente até às 13:00. A partir daí tinha que definir onde faria o meu abrigo, e isso também não era uma tarefa fácil, pois depois de subir umas 3 serras eu nunca sabia se ali no topo daquela serra seria um bom local pro meu abrigo, e muitàs vezes não era, por vezes o solo era muito instável com muitas folhagens, ou a vegetação era densa demais e eu não tinha espaço para construir o abrigo, ou não tinha as palmeiras básicas que serviam de material para construir o abrigo. E eu tinha que fazer essa análise muito rapidamente, pois caso não tivesse, eu teria que tomar a difícil decisão de sair dali e subir mais uma serra na esperança que essa próxima serra me desse essas condições. Tudo isso já cansado, com fome, psicologicamente fragilizado.
Eu defini que até as 14:00 eu teria de ter definido já o local pro abrigo, sendo o ideal ou não, pois das 14:00 até às 17:00 era o prazo para fazer o meu abrigo, e esse processo era igualmente cansativo. Afinal, diferente do que normalmente pensam, os materiais necessários não estavam sempre próximos de mim. Eu teria de buscá-los por toda a área da serra, eles estavam espalhados e muitàs vezes em partes íngremes que me demandava bastante esforço e energia. Tinha que cortar os galhos de palha preta (a palmeira que daria sustentação às paredes do abrigo), normalmente entre 7 a 12 galhos. Depois buscar galhos de outro tipo de palha parecida com a palha preta, que seriam as paredes do abrigo, o ideal era entre 20 e 40 galhos. Juntar e carregar tudo isso para o local do abrigo, e cortar tudo isso com uma pequena lâmina de um canivete multiuso, que tornava o trabalho ainda mais cansativo. Ao final ainda precisava buscar folhas de Sororoca, (que eu chamava de “bananeira que não dá banana”) pois elas seriam a última camada do meu abrigo e que iriam me proteger da chuva e diminuir o frio.
Tudo isso eu precisava terminar até as 17:00. Por que depois de todo esse trabalho, ainda tinha que ir procurar e buscar madeira para fazer fogueira.
E fazer fogo era um desafio enorme no meio da maior floresta tropical do mundo em pleno inverno amazônico. Tudo é muito úmido, isso quando não está molhado mesmo, afinal chovia quase todo dia. Eu tinha de 17:00 até 18:30 no máximo para buscar o máximo de madeira utilizável que eu pudesse.
Por vezes me esforçava tanto para carregar um tronco pesado de árvore para servir de lenha que chegava a perder as forças e a vista escurecia, mas eu não podia desistir ali, voltava lá e entregava ainda mais até conseguir arrastar aquele tronco.
Naqueles dias na floresta eu aprendi que eu tinha que entregar NO MÍNIMO 100% da minha dedicação em todas as tarefas que eu fazia, e ainda assim às vezes não era suficiente. Mas eu voltava lá e entregava 105%, depois 110% e quanto mais eu me dedicava mais eu via que conseguia as metas.
O que você faz quando dá 100% do seu esforço mas não consegue atingir sua meta?
Na nossa vida não é diferente. Entregue sempre no mínimo o seu melhor, e às vezes ainda não será suficiente. Mas você não vai desistir, vai voltar e vai entregar ainda mais e perceber que o seu limite está apenas na sua mente.
Você não desiste!! Você se torna Resiliente!!
Agora traga essa mentalidade pra sua equipe. E veja o poder de uma equipe focada e dedicada a entregar o seu melhor.
Texto do acervo autoral. A data original de redação não está indicada no documento.
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